quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ênio.


Só porque hoje eu lembrei de você, Ênio...
Escrevi isso naquela época:

Você me dá falta de ar,
Angustia,
Sufoca,
Me podes matar com o olhar.
Você me toca
E meu sorriso fica amarelado.
Só de te olhar eu engasgo.
Você e sua falsa cara de educado
Me dão asco.

Nina C.

domingo, 3 de outubro de 2010

Cubes.


Oh, baby, be my sugar cube tonight.
Make me sweeter
Kiss me until midnight
Melt in my mouth
Because after tonight, baby
I don't wanna see you again
Be my sugar cube tonight.

Oh, baby, be my ice cube today
It's sunny outside
Fresh me up
Cold me up
Kiss me with Gin and Tonics
Until the sun goes down
Melt in my mouth
Because after the sun's gone, baby
I don't wanna see you again
Be my ice cube today.


Nina C.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Asfalto.


Deixo minhas pistas no teu asfalto
E vou de salto-alto em tua direção
Tudo o que eu quero, meu amor
É deixar em tuas mãos
O meu coração.

P.S.: Você o quer?


Nina C.


domingo, 19 de setembro de 2010

Bem-me-quer... Mal-me-quer...


Aai, meu bem, me quer?
Te quero a contra-gosto.
Aai, meu bem, mal me queres
Me desqueres com gosto.
Aah, o desgosto que me dás em me querer
E não querer.
Meu bem querer, tu não queres nem saber
Do que tu queres ou não queres.
Eu te quero e tudo mais
A contra-gosto
Pois eu sei o que tu queres
E que tu me queres
Não por bem querer
Mas pra foder.

Nina C.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Monólogo.




Ato 1



Cena 1



Monólogo de véspera de Feriado



Uma penteadeira com espelho; um pufe; uma cadeira do outro lado do palco com um sutiã, meia-calças, uma bolsa e outras coisas jogada em cima; um porta-chapéus com um vestido pendurado; um abajour antigo no meio do 'quarto'; um par de sapatos jogados pelo chão. Na bancada da penteadeira tem maquiagem espalhada, brincos, um cinzeiro, uma carteira de cigarros, esqueiro e colares pendurados no espelho.

A luz do palco e do abajour vão saindo do blackout e abrindo, enquanto ela começa a dar os versos do poeminha.




Mulher - "Quero decretar feriado no dia que eu te esquecer. No dia que eu passar ao teu lado e meu coração não se perder novamente, decretarei feriado em mim. Feriado eterno de ti."

(Pausa. Luz estabiliza. A mulher está apenas de calcinhas no palco, sentada sobre o pufe, passa maquiagem no rosto, os cabelos longos cobrindo os seios. Está sentada de modo que o público vê apenas o seu reflexo no espelho, ela está de costas)

De quem eu estava falando? Você não conhece. (Pausa) E mesmo que conhecesse, eu não diria. Porque... Eu esqueci, lembra? (Tira um cigarro da caixa. Continua a passar maquiagem, olhando-se atentamente no espelho)

No começo eu pensava que ele fosse algo a se lembrar. Mas agora eu acho que não. Eu só quero esquecer. E esquecer. E esquecer... Até que eu possa lembrar, sem lembrar porquê eu quis tanto esquecer, sabe?

(Pausa. Termina de se maquiar, vira-se. Caminha pelo palco, pega a meia-calça)

Esse é meu ritual. Primeiro eu esqueço de como eu era quando o conheci. Depois eu esqueço como eu parecia quando o conheci. Depois eu deixo aquela menina de lado, me pinto de mulher, (Pausa. Pega o cigarro, olha para ele e acende enquanto anuncia o ato) acendo um cigarro...

O cigarro é algo a se lembrar. Foi amor à primeira tragada. Até hoje, o cigarro é o meu amante mais fiel. (Ri. Fala entre uma baforada ou outra de fumaça) Isso não quer dizer que eu não tente esquecer ele de vez em quando, mas sempre volto atrás.

(Pausa. Começa a tentar vestir a meia-calça, lenta e calmamente, enquanto inicia nova fala)

Mas agora o que eu quero esquecer é aquele rapaz. Ele me faz sentir tão feia, que eu me arrumo cada vez mais. Ele pode até não me olhar, mas eu sei que ele nota todos os outros olhares para mim. Mas ainda assim ele consegue me fazer sentir feia. Cansei de prender a respiração sempre que o vejo. Os outros olhares não me importam... Eu quero esquecer. Mas eu não posso tentar esquecer ele, esquecendo de mim.

Ele faz parte de quem que eu já fui. Depois de um cigarro... Eu gosto de acreditar que limpo a minha mente de qualquer coisa que me lembre dele, se funcionasse tão bem quanto eu queria, eu não fumaria tanto. O que custa acreditar, né? Um cigarro, um ponto pro esquecimento. (Pausa) Mas pra isso é preciso lembrar. É preciso lembrar pra esquecer. (Procura algo) Onde eu coloquei? (Levanta-se e procura pelo palco, encontra o sutiã, virada de costas o veste, volta para a penteadeira, pega um relógio e olha a hora) Daqui a pouco tá na hora do meu remédio.

Bastante cerveja, flerte, carinhos casuais. Tudo menos ele. E é bom, mas é incompleto. Gosto de pensar que eu estou quase lá. Quase perdida em amnésia alcoólica e quando eu acordar, eu não vou lembrar de como os olhos dele são, o sorriso, o timbre. (Veste o vestido que estava pendurado no cabideiro) estou pronta (Pausa. Olha no espelho). Agora chegou a minha hora de ir e de esquecer um pouco mais. (Apaga o abajour, a luz baixa para a penumbra. Sai)



Fim.

Nina C.

domingo, 15 de agosto de 2010

O gosto.


Foi apenas pelo esporte, pela diversão, pelo gosto da conquista. Aquele dia, aquela hora, aquela ilusão plantada e assim que se despediram, acabou-se. Ela, iludida, voltou para casa feliz com uma esperança plantada no coração; e ele, vitorioso, voltou para casa feliz com uma vitória no bolso de algo que ele se lembraria, mas que pouco o importaria (Ou virce-versa). E assim passam-se as noites e os amantes tropeçam, e jogam, e ganham, e perdem ao mesmo tempo. Ganham uma conquista, perdem uma pessoa interessante (Ou não...). Um casual 'esta noite e nunca mais...'. Pois não passou de esporte, de diversão, do gosto de uma conquista.



Nina C.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A ninguém em especial


Cada dia
Cada hora
De olhos cansados
Daqueles mesmos olhos,
Sempre na mesma direção.
Encontrando-se sempre com os mesmos
Olhos cansativos,
Armados,
Sem a graça da surpresa,
De olhos cansados
Dos olhares previsíveis.
Mas eis que,
Entre todos os olhos
Costumeiros,
Surgiu um par de olhos
Castanhos
Quase pretos
Acompanhados de um sorriso aberto
Quase perfeito
Que me chamou para conversar.
E eis que
Estes olhos não me foram previsíveis,
Não queriam de mim
Um beijo e nada mais,
A insignificância de ser um objeto casual.
Aqueles olhos queriam conhecer os meus,
Conversar,
Trocar energias,
Contatos.
E eis que
Surgiu um vínculo
Que não tenho certeza
Se será duradouro
Ou se foi casual.
Mas eis que
Aqueles olhos
De surpresa
Me encantaram mais
Do que apenas sua beleza.
Olhos castanhos como
Chocolate amargo,
Café,
Te pretendo degustar
Aos poucos,
Devagar
E descobrir onde
Nossos olhares chegarão.
Eis que
Espero encontrá-lo
Novamente
E assim
Pontuar nossa próxima
Frase
Fase
Fim.

Nina C.

domingo, 25 de julho de 2010

Nudez da alma


Descasque-me, pois estou armada contra o amor desde que você me (des) apareceu. Descasque-se antes de qualquer coisa, pois preciso saber o que se passa em sua mente. Ficarei nua se ficares também. A verdade e as confissões nos tiram a roupa, nos desarmam, nos descansam de nós mesmos. Ponhemos nossas armas, nossas armaduras, esporas e cobertas no chão. Mostremo-nos tal como somos um para o outro, num voto de paz aos (meus) pensamentos que, guardados, me atormentam. E em meus seios tu lerás, e nos pêlos de teu peito eu verei as respostas. E em harmonia, desnudos, abraçaremos nossas verdades. E nuas, nossas almas farão amor num ato de despedida. De nostalgia. O nunca mais vem logo depois, num beijo sincero, num voto amigo. Jamais seremos amantes. Jamais será como antes. Mas será verdadeiro.

Nina C.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Nossas vidas na balança.



Outro dia, na varanda, observando a vida noturna, eu olhei pra baixo. Inevitávelmente a curiosidade me veio. Não, não sou nem tenho pensamentos suicidas, mas não posso evitar pensar em como seria cair de uma altura de... O que... 15 metros? Como deve ser? Eu acho que deve ser pesado. Pesado no sentido físico e emocional, pois é no momento do impacto que você sente todo o seu peso.

Quem nunca caiu na vida? Cair é pesado. Quando estamos em equilíbrio, mal sentimos o peso que temos, mas se o perdemos o peso vem a tona. Cair é pesado. É o nosso peso que determina a força com que caímos e é nesse momento que o sentimos. O nosso peso contra nós mesmos, nos esmagando. É engraçada a sensação e todas as analogias que podemos fazer a este respeito. O peso de tudo o que fazemos, de bom ou não, sempre cai sobre nós, sobre nossa consciência, e esse peso é nosso, de mais ninguém.

Nós somos o próprio peso que nos machuca na queda. Mesmo que sejamos empurrados. Porém ser empurrado não é o assunto, se bem que: Para que alguém te empurre, essa pessoa precisa de um motivo e o motivo é você quem dá, o motivo é o peso. Afinal, o assunto é cair acidental ou espontâneamente, é simplesmente perder o equilíbrio, literal ou metafóricamente.

Quem nunca se manteve neutro por bastante tempo e por um motivo pequeno explodiu de repente? O peso de tudo que você guardou caiu por cima de você (e dos presentes) e você sente o peso na hora do impacto e depois, principalmente. O peso pode ser bom, o peso pode ser de felicidade. Cedo ou tarde você sente. É o peso de tudo o que fazemos, é o peso que construímos, que nos compõe, é o choque. Podemos olhar para o chão o tempo inteiro para jamais tropeçarmos, mas uma hora ou outra acertamos uma placa com a testa, pois olhavamos demais para baixo e não para o que estava em nossa frente. Não temos o controle de tudo que há em nossa volta.

Os obstáculos estão em todos os lugares para nos desequilibrar, para que sintamos, que pesemos um pouco de vez em quando. O peso é uma forma do universo te mostrar que tudo faz parte de um ciclo, o feedback existe, ação e reação se aplica a tudo, principalmente a nossa forma de lidar com a vida e com os outros, que acumulamos pontos. Colher os frutos é sentir o peso, seja esse peso esmagador, seja esse peso revigorante, sejam as frutas frescas ou podres. Quantas vezes te veio à cabeça algo tipo "Não posso fazer isso... É pesado demais pra a minha consciência"? Peso também sempre pode ser leve. Pensa um pouco nisso. Até outro dia, neste mesmo lugar, com mais carga em cada lado da balança, sobre seja lá o que for.

Nina C.


quinta-feira, 4 de março de 2010

00:00... Horas gêmeas, ou horas das almas gêmeas?


Olho no relógio e este aponta: Zero horas e zero minutos. No mesmo instante um sorriso vem a minha face e eu penso: "alguém pensa em mim...". But i wonder... Será este alguém o mesmo alguém em quem eu estou pensando? Acho que isto é o que passa pelas mentes de todas nós, românticas sonhadoras, nestes momentos. Dez horas e dez minutos, uma hora e um minuto... Não importa qual seja o par, seis e seis, oito e oito... Somados são o dobro e divididos a metade. Não é isso o que sempre procuramos, a nossa metade? E se este dito popular diz que a sua metade pensa em você, enquanto você (a outra metade) pensa nele? E se tal dito popular apenas existe para lembrá-la que você sempre estará nos pensamentos de alguém, não importa quem, ou quanto, mas a qualquer hora, seja dez e dez ou duas e meia, você é a protagonista dos pensamentos de alguma pessoa, do mesmo jeito que seus pensamentos sempre têm um protagonista diferente (ou o mesmo) a cada hora.

Não falo apenas de protagonistas românticos, mas de familiares, amigos e todas as pessoas em quem pensamos, e todas as pessoas que pensam em você. Se existimos, socializamos, convivemos... Estamos na memória daqueles com quem compartilhamos nossas vidas. Sendo assim, eu diria que é verdade. Eram meia noite em ponto e alguém definitivamente pensava em mim. Mas quem? Onde? Talvez, provavelmente, não fosse aquele em quem eu pensava no exato momento em que olhei as horas (o que é irônico, pois foi no exato momento em que ele veio à minha mente, pois o vi online assim que entrei no MSN. Não costumo pensar muito nele), mas alguém definitivamente pensa em mim.

Apesar de tudo é mais romântico pensar que em tais horas, que só acontecem 24 vezes ao dia, um sonhador apaixonado, ou apenas com uma quedinha, lembra de você e sorri. Da mesma forma que você, sempre que sabe que ninguém está olhando e se depara com uma destas horas do dia, sorri. Suspira por ele, ou por outro e pensa nele também, imaginando se ele também olhou as horas, ou se ele sequer sabe o significado de tal dito popular, ou se sequer sabe a existência deste. Ou se apenas vê as 00:00 como uma ironia perfeita. Quem sabe? Eu gostaria de ser uma mosquinha ao lado do meu pensador, seja lá quem for, só para saber sua expressão, seja ao olhar a hora ou pensar em mim.

Viram? Já estou a romantizar novamente. Nós sempre escolhemos o lado mais romântico, independente de se sabemos a verdade ou não. Tudo a nossa volta sugere o amor. Nós vivemos em busca de sermos amados, de sermos o centro do universo de alguém. O amor, em suas diversas formas, é a substância favorita da humanidade. Sem o amor (ou o sexo, animalescamente falando... feromônios e desejo de perpetuação da espécie, com animais pensantes que em consequência disso, fantasiam a perpetuação em um sentimento profundo e único, destinado a um, ou mais durante uma vida inteira, indivíduo especial), não existiríamos, não evoluiríamos. Seriamos seres humanos de concreto e a vida não teria graça ou drama. O drama que leva o filme de nossas vidas adiante, que nos faz personagens, protagonistas, vilões e mocinhos, tudo ao mesmo tempo. Ao fundo ouve-se "La Vie en Rose". Outro dia, noutra hora (quem sabe outra hora gêmea?), sobre amor, mas com outro motivo e com outra trilha sonora, eu volto.

Olhem os relógios!

Nina C.

terça-feira, 2 de março de 2010

Cartas de Magnólia.



Magnólia apaixonada espera cartas do Amado. Todos os dia chama de lado o Carteiro agoniado. Este nunca viu tal carta endereçada à garota, escrita pelo misterioso rapaz ela que diz ser seu amor.

O Carteiro agoniado, com pena da Magnólia, escreve carta fictícia para acalmar seu coração. Disse que: seu Amado misterioso morreu de morte misteriosa e em seu país misterioso, foi enterrado entre cravos e rosas; E que amava profundamente a Magnólia chorosa. "Apaixone-se novamente", na carta ele dizia. Magnólia apaixonada chorava nos braços do Carteiro agoniado, enquanto este atormentado, encantado e aliviado, cada dia que passava gostava mais da Magnólia.

Magnólia desencantada, via a vida com novos olhos. Não mais guardava a caixa do correio, não mais sonhava com seu Cavalheiro. O Cavalheiro que um dia disse que ela era toda sua vida. Iludiu-a e deixou-a com a promessa de que escreveria. O Cavalheiro em questão, casou-se no outro dia e o Carteiro agoniado desde sempre sabia, pois havia enviado os convites para o dia. O Carteiro agoniado resolveu fazer justiça, desiludiu a menina. Porém já apaixonado não sabia se devia declarar-se para a moça a quem salvou o coração. Magnólia estava livre, esperando um ocupante, esperançosa que este fosse o jovem Carteiro agoniado, que agoniado escreveu a mais bela carta de amor justo no dia em que Magnólia viu o "fantasma" de seu Cavalheiro, desmaiou nos braços de seu Carteiro e aceitou o seu amor.

Desde então, Magnólia apaixonada é amada pelo seu Carteiro agoniado. Que junto a ela conta a história de amor de um carteiro e uma certa flor, todas as noites aos seus pequenos filhos agoniados e doces. Contam como o coração da Magnólia fora salvo por uma mentira que mais tarde ela descobrira como a maior prova de amor de sua vida.

Fim.

Por Nina C.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Início.



Nina existe,
ela fala por mim.
Nina sou eu,
mas eu não sou Nina.
Nina é o meu lado despreocupado,
aquele que eu mostro Nina,
mas não mostro como eu.
Eu, como eu, visto a máscara do dia-a-dia:
da insensibilidade,
da invulnerabilidade,
da auto-suficiência
que todos somos obrigados a ostentar.
Mas por dentro pulso sensível
e ponho pra fora como Nina
aquilo que não quero que vejam.
Nina é o ser sensível que vive dentro de mim
e que eu não tenho coragem de expressar.
Nina vive o amor que eu prefiro não demonstrar,
é a minha fragilidade,
que sou fraca demais para deixar transparecer.
Enquanto finjo ser forte
por aqui e alí,
Nina me mostra por trás da máscara,
mas vocês não verão meu rosto
apenas minha essência,
Nina.