
Olho no relógio e este aponta: Zero horas e zero minutos. No mesmo instante um sorriso vem a minha face e eu penso: "alguém pensa em mim...". But i wonder... Será este alguém o mesmo alguém em quem eu estou pensando? Acho que isto é o que passa pelas mentes de todas nós, românticas sonhadoras, nestes momentos. Dez horas e dez minutos, uma hora e um minuto... Não importa qual seja o par, seis e seis, oito e oito... Somados são o dobro e divididos a metade. Não é isso o que sempre procuramos, a nossa metade? E se este dito popular diz que a sua metade pensa em você, enquanto você (a outra metade) pensa nele? E se tal dito popular apenas existe para lembrá-la que você sempre estará nos pensamentos de alguém, não importa quem, ou quanto, mas a qualquer hora, seja dez e dez ou duas e meia, você é a protagonista dos pensamentos de alguma pessoa, do mesmo jeito que seus pensamentos sempre têm um protagonista diferente (ou o mesmo) a cada hora.
Não falo apenas de protagonistas românticos, mas de familiares, amigos e todas as pessoas em quem pensamos, e todas as pessoas que pensam em você. Se existimos, socializamos, convivemos... Estamos na memória daqueles com quem compartilhamos nossas vidas. Sendo assim, eu diria que é verdade. Eram meia noite em ponto e alguém definitivamente pensava em mim. Mas quem? Onde? Talvez, provavelmente, não fosse aquele em quem eu pensava no exato momento em que olhei as horas (o que é irônico, pois foi no exato momento em que ele veio à minha mente, pois o vi online assim que entrei no MSN. Não costumo pensar muito nele), mas alguém definitivamente pensa em mim.
Apesar de tudo é mais romântico pensar que em tais horas, que só acontecem 24 vezes ao dia, um sonhador apaixonado, ou apenas com uma quedinha, lembra de você e sorri. Da mesma forma que você, sempre que sabe que ninguém está olhando e se depara com uma destas horas do dia, sorri. Suspira por ele, ou por outro e pensa nele também, imaginando se ele também olhou as horas, ou se ele sequer sabe o significado de tal dito popular, ou se sequer sabe a existência deste. Ou se apenas vê as 00:00 como uma ironia perfeita. Quem sabe? Eu gostaria de ser uma mosquinha ao lado do meu pensador, seja lá quem for, só para saber sua expressão, seja ao olhar a hora ou pensar em mim.
Viram? Já estou a romantizar novamente. Nós sempre escolhemos o lado mais romântico, independente de se sabemos a verdade ou não. Tudo a nossa volta sugere o amor. Nós vivemos em busca de sermos amados, de sermos o centro do universo de alguém. O amor, em suas diversas formas, é a substância favorita da humanidade. Sem o amor (ou o sexo, animalescamente falando... feromônios e desejo de perpetuação da espécie, com animais pensantes que em consequência disso, fantasiam a perpetuação em um sentimento profundo e único, destinado a um, ou mais durante uma vida inteira, indivíduo especial), não existiríamos, não evoluiríamos. Seriamos seres humanos de concreto e a vida não teria graça ou drama. O drama que leva o filme de nossas vidas adiante, que nos faz personagens, protagonistas, vilões e mocinhos, tudo ao mesmo tempo. Ao fundo ouve-se "La Vie en Rose". Outro dia, noutra hora (quem sabe outra hora gêmea?), sobre amor, mas com outro motivo e com outra trilha sonora, eu volto.
Olhem os relógios!
Nina C.
